Alma fria. Frio toque na pele descascada de seguranças e supostas certezas. Suores frios com os cabelos a decorar-lhe as costas, pesados de uma consciência que deveria ser leve.
Deveria. Deveria também ser o arranhar da tal pele que a fez desaparecer por completo da determinação e estima que tinha por si mesma.
Deveria. Deveria ser também o cabelo emaranhado que a fez perder no meio dos nós da loucura.
A sombra de tudo reflecte-se na parede límpica da cal, delineada por uma estupidez que fez com que deixasse de tudo ver, que fez com que seguisse o cego caminho do nada.
O som melancólico do piano e as unhas encravadas com as porcarias da vida é que a seguiram (isto e um rasto de esperança de que a sombra a seguisse também, mas dessa nem rasto de tanto não haver sol quente...)
[para continuar quando houver mais imaginação]
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5.8.11
20.6.11
Temperaturas da alma
Em casa, anda-se descalça.
Sente-se o frio do chão e o quente da alma. A alma é sempre quente, os dias é que podem não o ser. Os dias podem ser puro gelo derretido por um ingénuo e inocente sorriso. Há quem diga que as dores de alma não tem remédio. E porque o tempo cura tudo, quem não tem o remédio é porque não sente o tempo fazer rugas na pele.
Sente-se o frio do chão e o quente da alma. A alma é sempre quente, os dias é que podem não o ser. Os dias podem ser puro gelo derretido por um ingénuo e inocente sorriso. Há quem diga que as dores de alma não tem remédio. E porque o tempo cura tudo, quem não tem o remédio é porque não sente o tempo fazer rugas na pele.
Janelas com alma, no centro do micro clima de Sintra.
19.4.11
Não me lembro de ter dormido
Atirei o telemóvel para cima da mesa. Mandei-me para cima da cama. O meu corpo adormeceu com o som ribombante da trovoada e o zumbido de uma melga que me azedou os ouvidos. O meu corpo adormeceu. Eu não. Eu não adormeci, o meu pensamento continuou acordado. Ouvi tudo. Nada vi. Estava envolta nas sombras que batiam na parede, feitas pelas tralhas espalhadas pelo quarto, em que batiam freixes de luz vindos da janela. O meu corpo adormecido ia-se mexendo e os meus ouvidos ouviram a conversa calorosa que ecoava pelo corredor fora até embater contra porta fechada do meu quarto. Mesmo assim, Eu ouvi. Telefonemas...
O quente da respiração fazia-se sentir na pele. Ao meu irmão nada disto perturbava. A ele, não só o corpo estava adormecido, como também o pensamento. E eu continuava em ebolição. Num reboliço. A mim, tudo me perturbava. A mim tudo fazia com que eu não permanecesse imóvel. Entretanto, também as sombras se dissolveram nas paredes e tudo ficou ainda mais escuro. As luzes lá de fora, e as luzes que vinham do corredor apagaram-se. Fechei os olhos. Nada ouvi. Nada vi.
No entanto, não me lembro de ter dormido.
10.4.11
Pinceladas da Vida
"Viver é um eterno estar à janela" Livro do Desassossego, Bernardo Soares
Eu a reparar no mundo dos outros. Mas desta vez, a minha janela é a minha câmara fotográfica.
Do lado de dentro estou eu rodeada pelas minhas tintas e pinceis. Do outro lado estão os ruídos silenciosos dos que passam pela calçada, imginando que ninguém repara neles. Eles é que não reparam em mim. Perto da janela, as minhas tintas misturam-se como as nossas mãos se uniam, criam tons diferentes como os nossos dedos se entrelaçavam. E do lado de fora, continuam as madames de salto alto a correr aos saltinhos. Pousei os pinceis. Abri a janela e entrou uma rajada de vento que me percorreu a espinha: de cima a baixo. Senti o Viver. Senti o meu viver e o viver dos outros que continuavam a passar. Com um olhar superior olhei-os. Não com desprezo, mas com superioridade. Não com ignorância, mas sim com o simples facto de saber o que eles estão a fazer, e eles nem reparam que estou de braços pousados no parapeito quente de ter levado com os raios de sol. E tu passaste, e nem reparaste. Eu olho-os com superioridade, eles nem me olham sequer. Viver... Sim, é estar à janela. A janela apenas divide dois mundos: o nosso mundo e o mundo dos outros. E assim eu vou vendo quem passa. Talvez, alguém, algum dia, passe também por mim. Quando esse dia chegar, eu pinto-o de vivacidade na minha tela, ao pé da janela.
Eu a reparar no mundo dos outros. Mas desta vez, a minha janela é a minha câmara fotográfica.
24.3.11
Palavras Tuas. Muito, Tuas.
Quero saber como é que apenas duas frases conseguem fazer-me abrir bem os olhos, enchê-los com águas-memórias que nos fazem fechá-los para passar a fragilidade do momento, voltarmos a abri-los revitalizados. E tudo isto vindo do meu telefone, das tuas palavras sempre em boa hora. Sempre verdadeiras. Sempre sábias. Sempre maduras. Sempre, Tuas.
"Já estás uma mulherzinha madura. Gosto muito de ti" Parece tão pouco. Tão estúpida. Agradecimentos nunca serão em vão. Obrigada.
"Já estás uma mulherzinha madura. Gosto muito de ti" Parece tão pouco. Tão estúpida. Agradecimentos nunca serão em vão. Obrigada.
22.3.11
Vagueios à Memória
Vagueio para te tentar encontrar pelas várias pedras que formam o passeio. Vagueio para me lembrar das tuas rígidas maçãs do rosto, tipicamente morenas. Vagueio para te olhar outra vez nos olhos. Vagueio porque só me surgem memórias, e eu quero voltar à realidade. Talvez vagueio porque sim, e apenas porque não quero voltar onde o meu processo de crescimento começou. Não, não quero voltar a casa. Quero vaguear. Quero vaguear para lembrar. Para lembrar - Para reviver.
(a vaguear pelo passeio do Terreiro do Paço)
7.3.11
E o que a Mia disse deu-me vontade de escrever
E a Mia comentou no texto Oh, Lisboa: Lisboa, menina da saudade do tempo passado.
E o que ela disse deu-me vontade de aprofundar o texto que fiz.
(...) Lisboa, menina da saudade marcada nas rugas dos rostos dos velhos que reparam em nós todos os dias pelas suas janelas, desejando que alguém repare neles e que se quebre aquela rotina. É disso que eles tem saudade, que alguém os observe e que alguém lhes dê atenção. Lisboa, menina que sente saudades que alguém repare no Fernando Pessoa que está sentado no Chiado, ou na estátua da Praça da Figueira. Lisboa tem saudades que reparem nela, e que não passem apenas a correr por ela.
E o que ela disse deu-me vontade de aprofundar o texto que fiz.
(...) Lisboa, menina da saudade marcada nas rugas dos rostos dos velhos que reparam em nós todos os dias pelas suas janelas, desejando que alguém repare neles e que se quebre aquela rotina. É disso que eles tem saudade, que alguém os observe e que alguém lhes dê atenção. Lisboa, menina que sente saudades que alguém repare no Fernando Pessoa que está sentado no Chiado, ou na estátua da Praça da Figueira. Lisboa tem saudades que reparem nela, e que não passem apenas a correr por ela.
Fotografia e Edição: Joana Marques
4.3.11
Oh, Lisboa
Lisboa do Sol quente durante o almoço e fins-de-tarde primaveris; Menina de prédios tradicionais com montras de lojas contemporâneas; Durante o dia, menina do Chiado, durante a noite menina do Bairro Alto; Lisboa que olha o rio Tejo com atenção pelo Terreiro do Paço; Menina dos quiosques e cafés com esplanadas extensas pelas ruas e ruelas; Menina da Arte de rua; Lisboa, menina adormecida com ressaca, e bem acordada nas janelas dos velhos que dali assistem a tudo, atentos a cada pormenor que já viram durante os infinitos anos que ali viveram.
E um dia, quando acordar em plena Baixa-Chiado, quero ir à esplanada do cafézinho por baixo do meu prédio tipicamente pombalino, ler um livro enquanto bebo um café cheio de natas e caramelos. Depois sigo e vejo as montras até ao Terreiro do Paço, ver a feirinha de bujigangas que há lá, comprar alguma coisa (talvez) e tirar umas fotografias ao rio. Quero almoçar no MC'Donalds ou numa outra tasca qualquer do Rossio e meter-me no metro, ficar a conhecer a cidade de uma ponta a outra. Ir ao Pavilhão Atântico ou ao Coliseu dos Recreios saltar e dançar ao som de uma banda indie-punk qualquer que goste. Passar pelo Bairro-Alto, beber uns copos com amigos e ir a pé até casa, apreciar a noite Lisboeta, chegar a casa com os pés a doer-me e cair redonda na cama, mas saber que no dia a seguir vou continuar ali, e ter a mesma rotina que tanto me agradaria fazer.
25.2.11
Olá, esta é a minha confusa mente
Não tenho hábito de escrever textos que consigam transmitir aquilo que me passa pela cabeça. Mas hoje por acaso apteceu-me escrever um assim. Por acaso? Falemos de acaso: aconteces livremente? Como surges? E já agora, como é que te formas, óh tu chamado de acaso?
Filosofias, sempre filosofias que nos conseguem por a pensar. Ou então preferimos ficar na preguicite dos nossos lençóis... Bem enrroscadinhos neles, como se de um mar de preguiça nos atormentasse e quisessemos ficar nele para sempre, sem pensarmos.
Mas é bem verdade que Eu nunca gostei de pensar. Gosto mais de analisar, mesmo que isso implique usar um pouco do meu pensamento. Só, e apenas por acaso, sempre gostei mais de observar e analisar como é a realidade, mas interpretando-a à minha maneira: uma maneira mais irreal e mais própria. Não gostaríamos todos nós de poder ter uma maneira própria de pensar? Porque é que nos limitamos a achar que vamos passar o resto da nossa vida a limpar escadas de um prédio? Hipótese que, por acaso, nunca ponderei em pensar, pois a minha cabeça sempre teve um elevador que sobe até muito alto, e às vezes gostava que não descesse. Mas como já disse, sempre gostei muito de observar a realidade, mas não aprendi a conhecê-la tal e qual como é, porque é uma coisa que está sempre em mudança. E eu estou sempre em mudança. Mas sei que o que hoje quero e ambiciono, também vou ambicionar e lutar amanhã. Não mudo conforme o vento. Mudo conforme aquilo que vai avançando no tempo, e mudo conforme a arte vai mudando. Mas as bases e o passado ficam sempre, embora pareçam estar adormecidos nos lençóis da preguiça que impedem de repensar essas bases e o passado e torná-los em algo reecriado e novo.
Filosofias, sempre filosofias que nos conseguem por a pensar. Ou então preferimos ficar na preguicite dos nossos lençóis... Bem enrroscadinhos neles, como se de um mar de preguiça nos atormentasse e quisessemos ficar nele para sempre, sem pensarmos.
Mas é bem verdade que Eu nunca gostei de pensar. Gosto mais de analisar, mesmo que isso implique usar um pouco do meu pensamento. Só, e apenas por acaso, sempre gostei mais de observar e analisar como é a realidade, mas interpretando-a à minha maneira: uma maneira mais irreal e mais própria. Não gostaríamos todos nós de poder ter uma maneira própria de pensar? Porque é que nos limitamos a achar que vamos passar o resto da nossa vida a limpar escadas de um prédio? Hipótese que, por acaso, nunca ponderei em pensar, pois a minha cabeça sempre teve um elevador que sobe até muito alto, e às vezes gostava que não descesse. Mas como já disse, sempre gostei muito de observar a realidade, mas não aprendi a conhecê-la tal e qual como é, porque é uma coisa que está sempre em mudança. E eu estou sempre em mudança. Mas sei que o que hoje quero e ambiciono, também vou ambicionar e lutar amanhã. Não mudo conforme o vento. Mudo conforme aquilo que vai avançando no tempo, e mudo conforme a arte vai mudando. Mas as bases e o passado ficam sempre, embora pareçam estar adormecidos nos lençóis da preguiça que impedem de repensar essas bases e o passado e torná-los em algo reecriado e novo.
Fotografia e Edição por Joana Marques
31.12.10
Desabafo
Às vezes agimos sem pensarmos.
Porque é que temos que ter controlo sobre tudo?
Tudo devia acontecer por acontecer, não por acharmos que é assim que tem de ser. Tudo tem o seu tempo, há que respeitá-lo. Há tempo para tudo. Aquilo que não acontecer hoje, irá acontecer um dia destes. Deixa-te ir pelas horas, minutos e segundos... Sem pressas... Porque nós somos o reflexo de uma sociedade sem tempo para nada, nem para amor dar temos tempo! Como é que alguém se pode esquecer de dar uma das coisas mais importantes na vida? E mais grave ainda, como é que alguém pode não ter tempo para dar uma dessas coisas? Falo com tanta superficialidade sobre o Amor. Será por nem sequer ter tempo para falar dele?
Por isto, por aquilo e por acoloutro, não penso! Tenho sim, Medo de agir. Porque não penso nos actos, mas sim nas suas consequências, e isso é ter Medo, não é pensar.
Sem tempo. Com medo. A precisar de agir. Desabafos? Ou realidades de muita gente?
Porque é que temos que ter controlo sobre tudo?
Tudo devia acontecer por acontecer, não por acharmos que é assim que tem de ser. Tudo tem o seu tempo, há que respeitá-lo. Há tempo para tudo. Aquilo que não acontecer hoje, irá acontecer um dia destes. Deixa-te ir pelas horas, minutos e segundos... Sem pressas... Porque nós somos o reflexo de uma sociedade sem tempo para nada, nem para amor dar temos tempo! Como é que alguém se pode esquecer de dar uma das coisas mais importantes na vida? E mais grave ainda, como é que alguém pode não ter tempo para dar uma dessas coisas? Falo com tanta superficialidade sobre o Amor. Será por nem sequer ter tempo para falar dele?
Por isto, por aquilo e por acoloutro, não penso! Tenho sim, Medo de agir. Porque não penso nos actos, mas sim nas suas consequências, e isso é ter Medo, não é pensar.
Sem tempo. Com medo. A precisar de agir. Desabafos? Ou realidades de muita gente?
Fotografia e Edição: Joana Marques
3.12.10
Life's Theory
Tenho a mania de contar montes de histórias, tenho sempre uma para contar. Talvez achem que sou aquelas típicas pessoas que contam a sua vida toda a quem lhes aparece à frente, mas não. Completamente errados. Histórias que não tenham haver comigo, histórias que vão acontecendo de episódios surreais ou cómicos. Porque para ter confiança em alguém é preciso falar muito com essa pessoa, percebê-la e acima de tudo perceber se ela nos percebe a nós.
Mas hoje surpreenderam-me. Disseram-me que tinham a noção que eu não era dessas pessoas que conta a sua vida ao primeiro que lhe aparece à frente, e que tinham uma teoria mais ou menos feita sobre a minha vida; mas também disseram que essa mesma teoria pode estar mal ou incompleta. Bolas!
Sempre fui uma pessoa que tem uma capa feita para se proteger dos problemas, que está sempre com um sorriso na cara, com a sua vozinha histéricamente irreverente e pronta para contar mais uma das suas histórias quando chega à escola. Sempre desliguei um pouco. Por isso, nunca falei muito sobre mim e de repente dizem-me que têm uma suposta ideia de como será a minha vida?
Fantástico.
Mas hoje surpreenderam-me. Disseram-me que tinham a noção que eu não era dessas pessoas que conta a sua vida ao primeiro que lhe aparece à frente, e que tinham uma teoria mais ou menos feita sobre a minha vida; mas também disseram que essa mesma teoria pode estar mal ou incompleta. Bolas!
Sempre fui uma pessoa que tem uma capa feita para se proteger dos problemas, que está sempre com um sorriso na cara, com a sua vozinha histéricamente irreverente e pronta para contar mais uma das suas histórias quando chega à escola. Sempre desliguei um pouco. Por isso, nunca falei muito sobre mim e de repente dizem-me que têm uma suposta ideia de como será a minha vida?
Fantástico.
Fotografia e Texto: Joana Marques
11.11.10
Teorias do Comboio
Gosto muito das nossas viagens de comboio - é algo que tem sempre muita criatividade, se formos a pensar da maneira como eu penso até poderia dar um filme ou algo do género sobre 5 adolescentes que vão todos juntos para a escola, de comboio e conspiram e falam de coisas do seu quotidiano que mais ninguém percebe. Ou melhor, há sempre aqueles que tentam perceber e nos olham fixamente como se fossemos seres estranhos, ou assim qualquer coisa de outro mundo! Que tentam ouvir as conversas, mas que ficam na ignorância de não saber de quem e do quê é que nós falamos: como a senhora que tinha uma verruga e que olhava fixamente para as Inêses enquanto elas falavam. Ou como a senhora do "Ya" que se meteu comigo, com a Effy e com a Maria. E ainda outro, e outra, e outros e muitas mais outras. E depois vêm as teorias da conspiração do Filz, que é confrontado pela Maria e pela Effy. Depois, vêm os assuntos sérios e decentes de se falar com as mesmas, mas infelizmente não conseguimos manter a seriedade numa conversa, e no momento já estamos a falar de outra coisa qualquer verdadeiramente estúpida e sem sentido... Como a "Teoria da Negação" de um colega nosso, ou das várias hipóteses de namorada para outro ainda! Ou namorado... Isto tudo sempre com banda sonora das discussões patéticas e surrealistas entre mim e o Gonçalo.
Como vêm, falta de imaginação, criatividade e originalidade é o que não falta nos comboios sérios e monótonos que fazem ligação entre Roma-Areeiro e Sintra.
E assim se vão passando 45 minutos da minha vida matinal ou então, 45 minutos do meu fim do dia. Entretanto cada um fica pela várias estações espalhadas pela linha de Sintra, até que me vejo sozinha, aí, ponho os meus phones, ouço a minha música e penso em tudo e em nada; capto aquilo que se vai passando à minha volta, apesar de parecer que estou noutra; às vezes até desenho (mas desta vez com mais calma e sem serem maçãs feitas a aviar para a aula de Desenho, que é a primeira da manhã).
Sinto-me mais viva que nunca na minha mente, mas completamente a dormir fisicamente.
Como vêm, falta de imaginação, criatividade e originalidade é o que não falta nos comboios sérios e monótonos que fazem ligação entre Roma-Areeiro e Sintra.
E assim se vão passando 45 minutos da minha vida matinal ou então, 45 minutos do meu fim do dia. Entretanto cada um fica pela várias estações espalhadas pela linha de Sintra, até que me vejo sozinha, aí, ponho os meus phones, ouço a minha música e penso em tudo e em nada; capto aquilo que se vai passando à minha volta, apesar de parecer que estou noutra; às vezes até desenho (mas desta vez com mais calma e sem serem maçãs feitas a aviar para a aula de Desenho, que é a primeira da manhã).
Sinto-me mais viva que nunca na minha mente, mas completamente a dormir fisicamente.
6.11.10
shadows or reality?
I'm just a shadow in the wall. I'm just a shadow to you. You are just a shadow to me.
Or it's me that you won't to see?
Or it's you that I don't wanna face?
Or it's me that you won't to see?
Or it's you that I don't wanna face?
13.10.10
Perguntas sem Resposta
Porque é que voltaste? Porque é que entraste de novo na minha vida sem a minha permissão? Eu não quero que voltes a entrar, eu não quero que voltes a dominar tudo em mim e à minha volta. Não quero que de repente, quando tudo estiver bem te vás embora e deixares-me como me deixaste: sozinha. Não Quero.
Sempre disse que o que eu Queria, Tinha. Um dia disse para mim mesma que te Queria, e Tive-te. E agora? Não Quero, será que não te vou Ter? Ou será que vou ter de levar com os teus olhos castanhos a olhar para o meus outra vez?
E no fim, quem me dá as respostas para todas estas perguntas? Quem me dá uma justificação para tudo o que está de novo a acontecer? Quem?
Eu.
Tenho de ser eu a procurar todas as respotas, uma de cada vez.
29.7.10
Toques
Toques de carinho, amor, honestidade e felicidade. Toques de raiva, fúria, tristeza e angústia. Toques. Todos nós os sentimos no corpo. E depois seguem no seu caminho até ao coração. E lá interpretamos à nossa maneira, boa ou má.
Quem nos toca também sente. Também interpreta os seus actos como sendo bons ou maus. Como sendo de alegria ou sendo sofredores…
Quem nunca sentiu um toque na cara a que chamamos ‘’festinha”? E quem nunca sentiu um ligeiro toque no ombro pelos corredores da escola, a que chamamos “encontrão”? Todos nós, ou quase todos nós.
A minha definição de toques é simples. É quando expulsamos para fora aquilo que sentimos cá dentro. Quem não gosta de receber toques? Nem que sejam por mais pequenos, e pouco duradouros... Eu Gosto.
Quem nos toca também sente. Também interpreta os seus actos como sendo bons ou maus. Como sendo de alegria ou sendo sofredores…
Quem nunca sentiu um toque na cara a que chamamos ‘’festinha”? E quem nunca sentiu um ligeiro toque no ombro pelos corredores da escola, a que chamamos “encontrão”? Todos nós, ou quase todos nós.
A minha definição de toques é simples. É quando expulsamos para fora aquilo que sentimos cá dentro. Quem não gosta de receber toques? Nem que sejam por mais pequenos, e pouco duradouros... Eu Gosto.
Texto: Joana Marques
Fotografias: Filipa Marques
Realidade. Fugir dela?
Estou sentada debaixo da árvore, à espera de ver a minha sombra passar à frente; significaria que me tinha levantado e reagido para a vida. Mas ela não passou, não a vi e acho que nem a vou ver enquanto não tomar uma decisão para a vida. Uma decisão que mudaria aquilo que sou hoje, aquilo que fui ontem e que mudaria aquilo que vou ser amanhã. Parece difícil não? Basta apenas levantar-me para continuar, e nunca mais voltar a ser aquilo que era.
O meu corpo pesa-me, parece que não quer me eu me levante, parece que não quer que eu mude, parece que não quer que eu reaja. Não me consigo levantar apesar de saber que mais tarde ou mais cedo terei que o fazer. Não me quero levantar, não quero sair de onde me meti para fugir do mundo, da vida, da realidade, de tudo o que se passa à minha volta. Não quero ir... Não quero passar por tudo outra vez, não quero arriscar e correr o risco de sofrer outra vez. Não quero. Mas Tenho! Tenho de lutar para superar o sofrimento, para limpar as lágrimas que me rolaram pela cara o dia todo.
Está a escurecer, e penso no sofrimento das pessoas que não sabem onde estou. Penso que neste momento elas estão a sofrer tanto ou mais quanto eu sofri. Talvez volte para junto delas… Talvez…
O meu corpo pesa-me, parece que não quer me eu me levante, parece que não quer que eu mude, parece que não quer que eu reaja. Não me consigo levantar apesar de saber que mais tarde ou mais cedo terei que o fazer. Não me quero levantar, não quero sair de onde me meti para fugir do mundo, da vida, da realidade, de tudo o que se passa à minha volta. Não quero ir... Não quero passar por tudo outra vez, não quero arriscar e correr o risco de sofrer outra vez. Não quero. Mas Tenho! Tenho de lutar para superar o sofrimento, para limpar as lágrimas que me rolaram pela cara o dia todo.
Está a escurecer, e penso no sofrimento das pessoas que não sabem onde estou. Penso que neste momento elas estão a sofrer tanto ou mais quanto eu sofri. Talvez volte para junto delas… Talvez…
Joana Marques
28.7.10
Untitled
Escrevo. Escrevo para libertar tudo aquilo que hoje senti: raiva, angústia, saudade, tristeza, medo... Tudo me envolve numa dor profunda. Tenho medo: Medo da perda. Fizeste com que tudo em mim se torna muito mais quente, mais sóbrio, mais Feliz, mais... Mais Tudo. E agora, Errei. Tornei-me outra vez disfuncional, fria, alucinada e Triste. Voltei a ver as nuvens tornarem-se cada vez mais cinzentas em vez de desaparecerem e deixarem brilhar o Sol e o azul do céu. Continuo a escrever. Uma lágrima rola-me pela cara até chegar aos meus lábios, aí caí para cima da folha de papel e a última palavra que escrevi com a caneta que me deste, apaga-se. Gostavas de me ver a escrever, gostavas daquilo que eu escrevia, por isso talvez a escrita se tornára cada vez mais importante e indispensável na minha vida. Escrevo enquanto ouço música. Não é uma música qualquer, era aquela música. A música que estava a ouvir no meu MP3 quando num belo dia resolves passar à minha frente sem mais nem menos, naquele parque onde costumava ir quando tudo estava cada vez mais escuro na minha vida. Nesse dia, foste as cores que me passaram à frente, foste aquilo que me fez acordar daquela escuridão toda e perceber que tenho de Viver, Ser Feliz.
Obrigada. Só me restam sentimentos de gratidão para contigo, não me resta mais nada teu. Nada. Sinto-me vazia outra vez. Voltei a mergulhar na escuridão em que vivia. Voltei a ver as pessoas a preto e branco, quando elas têm cores e bem vivas. Voltei a encostar-me na minha sombra em vez de olhar para a frente e sentir o vento a bater-me na cara. Escrevo no parque. Acompanhou todas as nossas memórias, recordações, momentos de felicidade e de tristeza. Voltei a ser como um ''objecto''. Voltei a estar parada no tempo a recordar tudo aquilo que passámos. Voltei para Ficar aqui sentada, à tua espera.
Obrigada. Só me restam sentimentos de gratidão para contigo, não me resta mais nada teu. Nada. Sinto-me vazia outra vez. Voltei a mergulhar na escuridão em que vivia. Voltei a ver as pessoas a preto e branco, quando elas têm cores e bem vivas. Voltei a encostar-me na minha sombra em vez de olhar para a frente e sentir o vento a bater-me na cara. Escrevo no parque. Acompanhou todas as nossas memórias, recordações, momentos de felicidade e de tristeza. Voltei a ser como um ''objecto''. Voltei a estar parada no tempo a recordar tudo aquilo que passámos. Voltei para Ficar aqui sentada, à tua espera.
Joana Marques
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