31.10.14

i·lu·são

cravo as unhas no vidro do copo
embaciado pelo bafo ébrio de quem já não vê,
de quem já não se sabe em sentido.

cravo as unhas nas tuas costas
- são pedra - não se partem como eu,
não cedem como eu cedo ao espaço noctívago,

à nostalgia de um amor blindado -
cravo-lhe as unhas - a ferida abre, a ferida infecta
a manhã demora, a sobriedade volta.

não sou eu aqui
não sou eu capaz de ser outra coisa aqui -
devo à existência o comportamento que não sei ter

devo ao universo, ter-te e não te ter -
a liberdade a que me habituou o amor a ser um sonho
e não uma realidade.

cravo as unhas na pele.
não sou eu nela -
nem ele em mim.

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