6.1.14

qui·me·ra

meu amor, 
tudo o que fiz foi esculpir alucinações 
em homens inocentes e sem sonhos. 
cravei-lhes na pele a minha quimera, 
o que mais desejei do fundo do meu peito 
solitário e cheio de procurar vadiagem. 
perdoa-me a infâmia, a má vontade 
de nunca fazer o que me pedias, 
de nunca aceder à lúcida e sóbria razão.
o meu pensamento consome 
mais do que sempre me pudeste dar. 
só em mim cabia a abstração
como forma de te amar,
com o amor mais doentio e insalubre 
por nem ter palavras, porque palavras existem 
e são imensas e concrectas, e eu não.
eu perdi-me em todas as ruas e avenidas
para me encontrar e puder respirar 
cada segundo em que achei que vivi. 
perdi-me em todos os cais onde fui parar 
e fumei todos os cigarros que me trouxeram
como cativo ao meu desejo. 
e eles pobres, eles reles e tristes tanto me amaram 
como eu só te amei a ti e um dia hei-de voltar a amar
como imaginei nas noites esquivas de consolo.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. quando é que leio coisas tuas? :)

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  2. Relutante em escrever no ciberespaço, abri um blog. Assim como quem tira uma folha branca de uma gaveta... E a atira pela janela ao vento sem saber quem a lerá.

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  3. ontem depois reparei no teu perfil do blogger que finalmente fizeste um! nice nice! :)

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