11.8.13

funeral

Deito o meu corpo junto do velado.
Imagino se morresse ali mesmo
Morta por uma faca feita de palavras
E todo o meu sangue correria em sentido de libertação.

Pergunto-me se morreria feliz.
Não tenho um sentido para dar à vida.
Reina a anarquia dentro de mim
Por não me saber comportar perante a existência.
Tudo o que faço é deitar-me junto
Destes corpos e imaginar
Uma vida sem o sôfrego e fatídigo viver.

Sou eu quem difama a beleza de tudo isto.
Mal agradecida, peço o meu lugar cativo
Fantasma, em sítios de desconhecimento total.
Peço por um refúgio, peço-o em súplica.

Hesito. Não sei se hei de chorar como os outros.
Tudo isto é bonito: quem está morto é finalmente de ninguém
E toda a gente se lembrar de chorar. 

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