4.5.13

Perfume

Custa à madrugada acordar
quando não emana nela o cheiro a sol
e na imensidão da noite, a melancolia,
o não saber sonhar, muito menos amar.
Soubesse eu e a tua essência abraçar-me-ia no mistério que é o céu
no politeísmo do paraíso, a promiscuidade da terra.
Soubesse eu e não precisaria de aprender
os teus tecidos e o perfume que neles imprimes
Soubesse eu e não precisaria de os esquecer.
E o sol não se dissipa como tu ao passar.
O sonhar é a minha única constante viagem fora de órbita
feita de prazeres ainda mais mundanos que imaginar.
E tu, que és perfume, tu que és sensação
levas-me a conhecer um céu diferente daquele que agarra o sol,
quando nem esse que o agarra conheço por inteiro.

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